Manuel Scorza
Manuel Scorza (Lima, 1928 – Madri, 1983) é um dos nomes mais notáveis da literatura peruana do século XX. Filho de mãe indígena, passou parte da infância em Acoria, vilarejo dos Andes centrais, na região de Huancavelica. A experiência marcaria para sempre seu olhar sobre o Peru. Estudou no Colégio Militar Leoncio Prado, em Lima, e em 1945 ingressou na Universidade Nacional Mayor de San Marcos, onde mergulhou na militância política. Escrevia poemas desde a adolescência.
Em 1948, aos vinte anos, a ditadura do general Manuel Odría o obrigou a deixar o país. O exílio durou cerca de uma década, a maior parte no México, com passagens pelo Chile e pelo Brasil. Desse período nasceu seu primeiro livro, Las imprecaciones (1955), atravessado pelo desespero e pela indignação. De volta ao Peru, dedicou-se a democratizar o acesso à leitura e organizou o primeiro Festival do Livro do país, com edições populares de grandes autores vendidas a preços baixos. Também se engajou nas lutas das comunidades camponesas dos Andes centrais.
Foi dessa experiência que surgiu sua obra maior. No fim dos anos 1950, os camponeses da região de Cerro de Pasco se levantaram contra a expulsão de suas terras, promovida pela mineradora norte-americana Cerro de Pasco Corporation e pelos latifundiários locais, e foram duramente reprimidos. Scorza transformou essa história no ciclo La guerra silenciosa, também conhecido como Baladas. São cinco romances publicados entre 1970 e 1979: Redoble por Rancas, Historia de Garabombo, el invisible, El jinete insomne, Cantar de Agapito Robles e La tumba del relámpago. Cada livro funciona de forma independente, mas juntos compõem um imenso mural épico. Mito, sonho, humor e ironia se misturam à denúncia política. O ciclo herda as preocupações do indigenismo, mas rompe seus limites estilísticos para dar aos povos andinos toda a sua riqueza cultural e simbólica. Traduzida para mais de quarenta idiomas, a série se tornou uma das obras latino-americanas mais difundidas de seu tempo.
Perseguido por sua atuação política, Scorza deixou o Peru outra vez no fim dos anos 1960 e se estabeleceu em Paris, onde lecionou espanhol na Escola Normal Superior de Saint-Cloud. Em 1983 publicou La danza inmóvil, romance que rompia radicalmente com o ciclo anterior. Meses depois, em 27 de novembro daquele ano, morreu na queda do voo 11 da Avianca, perto do aeroporto de Madri, a caminho de um encontro sobre cultura latino-americana em Bogotá. No mesmo avião estavam Ángel Rama, Marta Traba e Jorge Ibargüengoitia. Tinha 55 anos.
Obras
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