José Donoso
José Donoso (Santiago do Chile, 1924 – Santiago do Chile, 1996) foi um dos grandes romancistas chilenos do século XX e uma figura central do boom latino-americano. Aos vinte anos, antes de terminar o liceu, viajou pelo sul do Chile e da Argentina e trabalhou em fazendas de ovelhas na Patagônia. Estudou inglês no Chile e se formou na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, em 1951. Depois fez uma longa viagem pelo México e pela América Central. De volta ao Chile, foi professor universitário e jornalista, sobretudo na revista Ercilla. Esses territórios e contrastes aparecem em seus contos, reunidos a partir de Veraneo y otros cuentos (1955).
Seu primeiro romance, Coronación (1957), retrata a decadência de uma família aristocrática de Santiago e recebeu o Prêmio da Fundação William Faulkner. Em 1966 vieram Este domingo e El lugar sin límites, seu livro mais popular, escrito no México durante uma estadia na casa de Carlos Fuentes, a quem é dedicado. Este último foi adaptado para o cinema por Arturo Ripstein em 1978. Depois de lecionar na Universidade de Iowa, Donoso se mudou para a Espanha, onde viveu de 1967 até o início dos anos 1980. Lá conviveu com Fuentes, Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Também lá publicou El obsceno pájaro de la noche (1970), considerado sua obra-prima: um mundo alucinatório e grotesco, que mergulha nos medos, obsessões e sonhos de seus personagens. Em 1972 escreveu o ensaio Historia personal del “boom”, testemunho de dentro do movimento.
Com o golpe de Pinochet em 1973, passou a se considerar exilado. Casa de campo (1978), que ele próprio julgava seu melhor livro, é uma alegoria sutil e surrealista da ruptura da ordem social e da ditadura chilena, e recebeu o Prêmio da Crítica na Espanha. Em toda a sua obra, Donoso usou o surrealismo sombrio, o humor negro e a sátira social para expor a vida de aristocratas decadentes numa sociedade em desagregação moral. De volta ao Chile, escreveu artigos contra o regime e chegou a ser detido brevemente em 1985, ao protestar contra a demissão de professores dissidentes. Publicou ainda El jardín de al lado (1981), La desesperanza (1986) e Taratuta (1990), entre outros. Fundou também uma oficina literária que formou nomes como Carlos Franz e Arturo Fontaine.
Recebeu, entre outros, o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1990), o Prêmio Mondello (1990), o Prêmio Roger Caillois (1991) e o Prêmio Gabriela Mistral (1994), e hoje dá nome a um prêmio literário no Chile. Em 2007, foram publicados postumamente o romance inédito Lagartija sin cola e uma biografia escrita por sua filha, Pilar Donoso.
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