Carlos Luis Fallas
Carlos Luis Fallas Sibaja (Alajuela, 1909 – San José, 1966), conhecido como Calufa, é o escritor costa-riquenho mais lido e traduzido de todos os tempos. Filho de mãe solteira, estudou apenas até os primeiros anos do ensino secundário. Ainda adolescente, mudou-se para a província de Limón, na costa atlântica, onde trabalhou nas plantações de banana e nos cais do porto a serviço da United Fruit Company. Ali conheceu de perto as condições brutais impostas aos trabalhadores pela empresa norte-americana e pelos políticos locais que a serviam.
De volta a Alajuela no início dos anos 1930, trabalhou como sapateiro e ingressou no recém-fundado Partido Comunista da Costa Rica, tornando-se uma de suas principais lideranças operárias. Em 1933, após um discurso inflamado, foi condenado pela Justiça a um ano de desterro em Limón. O castigo teve efeito contrário: Fallas organizou os trabalhadores bananeiros e liderou a greve de 1934, que reuniu cerca de 15 mil pessoas e foi a maior mobilização trabalhista da história do país até então. Mais tarde foi vereador, deputado nacional entre 1944 e 1948 e combatente na guerra civil de 1948, ao lado das forças derrotadas. Preso após o conflito, foi o último detido a deixar a prisão, por se recusar a pedir indulto à junta que assumiu o poder.
Sua obra literária nasce diretamente dessa experiência. Mamita Yunai (1941), escrito a partir de uma reportagem sobre a fraude eleitoral de 1940 na região de Talamanca, tornou-se um clássico da denúncia contra a United Fruit Company e chegou a ser evocado por Pablo Neruda em seu Canto General. Em Gentes y gentecillas (1947), Marcos Ramírez (1952), romance de formação bem-humorado inspirado em sua própria infância, e Mi madrina (1954), Fallas retratou com humor e afeto a vida das classes populares de sua cidade natal.
Apesar da escolaridade breve e da obra relativamente curta, Fallas obteve reconhecimento internacional antes mesmo de ser aceito pelas instituições culturais de seu país. Marcos Ramírez recebeu o Prêmio de Romance Ibero-Americano da Fundação William Faulkner, e, após sua morte, o Congresso costa-riquenho o declarou Benemérito da Pátria, a mais alta distinção concedida pelo Estado. Ainda hoje sua vida e sua obra despertam debates na Costa Rica, prova de que sua voz continua viva.
Obras
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