Guillermo Cabrera Infante nasceu em Gibara, Cuba, em 1929, e morreu em Londres, em 2005, já naturalizado britânico. Foi romancista, contista, ensaísta, crítico de cinema e roteirista. Começou a faculdade de medicina, mas trocou os consultórios pelo jornalismo. Trabalhou na revista Boehmia, criou o semanário Nueva Generación e, nos anos 1950, chegou a ser preso por causa de um conto publicado, o que o obrigou a assinar textos com o pseudônimo G. Caín.
Em 1951 fundou a Cinemateca de Cuba e se firmou como crítico na revista Carteles. Com a Revolução, integrou o Conselho Nacional de Cultura e dirigiu o suplemento literário Lunes de Revolución. Em 1962 foi nomeado adido cultural de Cuba em Bruxelas, posto que ocupou até 1965, quando rompeu com o governo de Fidel Castro e se exilou definitivamente na Inglaterra. A ruptura não significou abandono de Cuba; a ilha, e sobretudo Havana, atravessa toda a sua obra, recriada por meio da fala de suas ruas, da música popular e dos boleros.
A projeção internacional veio com Tres Tristes Tigres (1967), romance construído como uma longa noite de conversas na capital cubana. O livro é conhecido pelos jogos de linguagem, pelas paródias e pela maneira como captura o ritmo oral da cidade. Embora faça parte do chamado boom latino‑americano, Cabrera Infante não desfrutou da mesma exposição propagandística que alguns colegas, justamente por sua posição crítica em relação ao regime castrista.
Entre seus outros títulos estão Vista del amanecer en el trópico, Así en la paz como en la guerra, o livro de contos La Habana para un infante difunto e os ensaios cinematográficos de Un oficio del siglo XX e Cine o sardina. Recebeu o Prêmio Cervantes em 1997 e diversos outros prêmios na França, Itália e Espanha. Preferiu sempre a liberdade de escrever ao engajamento em movimentos políticos de oposição, mesmo que isso significasse o exílio e a proibição de seus livros em Cuba. A distância nunca apagou Havana de sua prosa, e seus livros seguem como um registro preciso e afetivo da cidade, visto de quem a amava sem deixar de criticá‑la.
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