Tempo de mudanças e reinvenções

Tempo de mudanças e reinvenções

Nesta semana tem Pinard na Folha de S. Paulo, uma despedida na Argentina, o último show de Bad Bunny em Porto Rico e o novo filme dos criadores de Marte Um

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LEITURA DE 7 MINUTOS
A mound of blue and red lollipops is placed in a corner.
Tem artista latino-americano fazendo sucesso nos museus da Europa. O cubano Felix Gonzalez-Torres será destaque da nova temporada do Museu Reina Sofia, em Madri. Na imagem, a obra “Untitled” (Para Un Hombre En Uniforme), de 1991. Crédito: Fundação Felix Gonzalez-Torres/Museu de Arte de Hessel

Você viu? Tem notícia boa circulando por aí.

A nova fase da Pinard ganhou destaque na coluna Painel das Letras, assinada por Walter Porto na Folha de S. Paulo. Pois é: cinco anos depois, estamos reformulando a operação, investindo em coleções inéditas e deixando para trás o modelo exclusivo de financiamento coletivo que nos acompanhava desde o começo.

Esse tanto de mudança abre espaço para novas parcerias – e isso significa um catálogo maior e ainda mais diverso. Como a reportagem já adiantou, a Pinard abre espaço para vozes contemporâneas da América Latina, como Patrick Chamoiseau e Fernando Molano Vargas, mas continua publicando clássicos, como Maryse Condé e Marta Traba.

O primeiro título a sair nessa nova fase da editora é “As Mortas”, de Jorge Ibargüengoitia. Você já pode no botão abaixo.

Quero garantir meu exemplar

E assim a gente vai criando isso que o Paulo chamou de “ecossistema em torno da literatura latino-americana”. Livros, sim, mas também cursos, eventos, encontros e uma comunidade que fortalece a leitura desse nosso amado cantinho do mundo..

Quem for assinante da Folha e quiser conferir a matéria completa, é só clicar aqui.

Bitácora, seu diário de bordo com notícias latino-americanas

Bad Bunny fez 31 apresentações em Porto Rico. Crédito: Kevin Mazur/Getty Images.

Se acabó el juego. A Argentina se despede de Walter Saavedra, um dos narradores mais emblemáticos do futebol no país. Dono de um estilo inconfundível, ele marcou gerações de torcedores com suas transmissões carregadas de paixão. Amigos de bancada dizem que sua morte deixa uma lacuna no jornalismo esportivo argentino. Leia mais no Página/12.

Acordo comercial. O Mercosul oficializou um acordo de livre comércio com quatro países europeus fora da União Europeia: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O trato vai facilitar exportações, reduzir tarifas e poderá gerar impactos importantes no comércio. Leia mais na Folha de S.Paulo.

DeBí DeCiR AdióS. No último sábado (20), em Porto Rico, Bad Bunny encerrou a série de 31 shows No Me Quiero Ir de Aquí. Transmitido ao vivo pelo Prime Video, o espetáculo bateu recordes e se tornou a apresentação solo mais assistida da história do Amazon Music.

Plaza de cultura

Cena de O último episódio, da Filmes de Plástico, que estreia em outubro. Crédito: Divulgação.

🎶 Muito doce. O álbum Café con Miel, da equatoriana Luz Pinos, é uma boa pedida para quem quiser conhecer um ritmo inventado aqui na América Latina: o “pambiche”. É um gênero dominicano derivado do merengue típico, com ritmo um pouco mais lento. Não perca “Capulí”, “Ya no te quiero” e “Solterona”.

🎬 Mestre dos Magos? Assista ao trailer de O último episódio, dirigido por Maurílio Martins, da Filmes de Plástico (Marte Um), que tem um argumento bom para fazer millennial chorar: para impressionar a crush da escola, um garoto diz que possui em casa a lendária fita com o episódio final de Caverna do Dragão, desenho cultuado dos anos 80.

🖼️ O Brasa é Pop. Corre que no dia 5 de outubro acaba a mostra Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70, a maior da Pinacoteca em 2025. São 250 obras de mais de 100 artistas que marcaram a época – como Adoração (1966), de Nelson Leirner, e Guevara (1967), de Claudio Tozzi.

📚 Trem de ler. Belo Horizonte recebe a MoLLa – Mostra do Livro Latino-americano. Inspirada no verso “se ouvem trilhos e se ouvem festas”, de Gabriela Mistral – autora publicada pela Pinard –, a mostra transforma a cidade em palco de encontros literários. De 10 a 26 de outubro, oficinas, mesas e atividades aproximam autores, leitores e profissionais do livro em um clima de travessia e celebração.

Ser da América Latina

A ideia aqui é convidar um ser da América Latina para nos contar o que é ser da América Latina. Quem inaugura o espaço é Felipe Beirigo (@beirigones), livreiro e sócio da Livraria Simples (@livraria_simples).

“Para responder essa pergunta, precisei primeiro me dar conta do que é ser brasileiro e, aí sim, dar esse próximo passo para ir de encontro com minha percepção do que é ser latino americano.

Ter tranquilidade para me afirmar latino funciona como um anúncio da minha visão política de mundo. E é aqui que a coisa fica interessante. Esse próximo passo da consciência não é puro como uma razão crítica, essa maratona dos costumes é cheia de encontros e desencontros. Antes do orgulho, lembro que minha língua e outras imposições culturais que nos formam como brasileiros também vieram em caravelas sujas. Ou seja, a contradição é um dos principais indicativos do que é ser latino. Me sinto com um dual chip instalado. Duas operadoras, um só corpo. Tenho mais dúvidas do que certezas. Enquanto escrevo esse texto, aproveito para ler uma matéria da revista Exame, feita em 2014, sobre bolivianos que estavam traduzindo o Facebook para o idioma aimara. Um dos idealizadores desse projeto faz a pergunta mais valiosa de todas: “Como é possível que nossa língua não tenha presença na internet?”. Bem, ser latino significa estar nessa busca infinita por tradições apagadas? Significa que a todo momento a gente precisa lembrar o pessoal do hemisfério norte que nós temos direito a uma identidade própria? Sempre que penso nisso, me vejo refogando provocações: eu falo a língua do colonizador, e é por ela que acesso à História do meu país, que descubro o assassinato dos povos originários e também a escravidão.

Ser latino americano é olhar para um pequeno espelho com bordas de plástico laranja pendurado em alguma parede e ver refletir a palavra povo. Ser brasileiro e latino é lembrar que nossa língua não é uma barreira para com a cultura dos outros países sul-americanos. É poder ter orgulho de tomar banho todos os dias, de prezar pela higiene. É saber que o balde é um objeto sagrado. Você já parou para pensar que o cantor porto-riquenho Bad Bunny conseguiu dar um novo significado para o que é ser latino utilizando apenas duas cadeiras de plástico? Nesse muralismo de objetos simples e adornados de complexidades, gosto de pensar que a identidade latina é uma corrida em busca de si. Ser latino é resgate e afirmação.

Para que essa busca continue, é importante encontrar pessoas dispostas a apresentar novas possibilidades que melhoram essa travessia. A editora Pinard faz esse trabalho muito bem. Seja no resgate de obras soterradas pelo tempo ou na apresentação de um livro consagrado em uma edição à sua altura. Se você optar pelo caminho da ficção para entender-se como uma pessoa latina, o catálogo da Pinard é um ótimo começo. Todas as ferramentas necessárias estão ali.”

Colofão

Esta edição foi escrita num sábado quente e seco, em meio a quatro anos, onze meses e dois dias de espera pela chuva na capital paulista.

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